um #tbt talvez tardio sobre o dia em que nunca mais fui a mesma

FLIP 2019 chegando!

Certamente, para todes autores ou pessoas que amam literatura, esse período do ano é um grande momento. A ansiedade de participar da minha segunda FLIP, dessa vez com participação em um sarau lindo (já já falo um pouquinho mais dele), se soma a pouco mais de dois meses de nascimento da Água indócil, na mágica noite de 24 de abril de 2019, na Casa das Rosas, esse espaço que transborda de cultura e de boas memórias e que, durante 2018, foi minha segunda casa (sdds, CLIPE!).

E o mais especial de tudo é que outras três potências nasceram junto da minha Água, e foram elas: Bruxisma (Pilar Bu), Atlântida (Ana Beatriz Domingues) e Eu não consigo parar de morrer (Camila Assad).

Nada melhor para agradecer pelos caminhos já trilhados e pelas estradas a trilhar do que se lembrar dos começos, ama como a estrada começa, já dizia Mario Cesariny (obrigada, Ana Rüsche, por me apresentar a esse poema tão profundo <3).

Então, fiquem com algumas fotos da maravilhosa Mayara Barbosa:

Como se diz, esse dia foi loko! hahahahahaha

Mas tem muito mais vindo por aí e logo eu apareço por aqui para falar dos vários projetos que ando tocando e testando (spoiler: tem uma plaquete artesanal!)

Por enquanto, para quem for à FLIP 2019, eis minha participação:

E então, nos vemos?

Até as próximas postagens, e prometo não abandonar o blog! 😉

expansão #1

a madeira vibra a fórmica brilha vibra minha mão transpira demais como sempre eu vibro com a madeira e a fórmica ou a fórmica e a madeira me vibram eu não sei mais respirar acordei sem ter dormido e o que é que eu faço com isso o que é que eu faço com tudo isso meu deus e eu nem acredito em deus nenhum o que é que eu faço com você a mesa vibra na palma grudenta e ridícula da minha mão e eu me alegro por poder disfarçar o fato de que eu desaprendi a respirar pesadelo é um clichê dispensável e o que é que eu faço com você?

o que é que
eu faço
com você?

mais nada. encaro os óculos na minha mão direita avulsos como se. desprezo mirou de volta. mas não naquele dia. não daquela vez. pressiono falanges metacarpos carpos contra as orelhas até crer-me imune. umidade. penso: dose sublingual. mas ainda não.

ainda não acabei

estou sentada debaixo do chuveiro as pernas bem abertas os olhos bem fechados

ainda não acabei

eu não pedi para parar quando senti dor e mesmo assim dor

ainda não acabei

quando eu pedi para parar, você: 

ainda não acabei

as notícias são as piores possíveis que tipo de mulher aceita passagem pro estrangeiro?

ainda não acabei

de puxar esse fio eterno de dentro da minha — 

ainda não acabei

mas quando acabar

uma nova galáxia estampará
a pele do universo em expansão.