diários visuais da quarentena, #5 – um experimento

um processo
dentro de um processo
e eu
ainda não acabei
os algortimos parecem antecipar
meus movimentos
na verdade, os algoritmos
não entendem nada
as casas dos algoritmos
são inabitáveis
alguém deveria acionar
a vigilância sanitária
os algoritmos acumulam lembranças
causam incêndios
atraem peçonhas
agouram desastres
eu gosto das canções
que os algoritmos sugerem
mas, não, eles não entendem
as canções das galáxias
presumem que não as ouço
porque não posso vê-las
só posso adivinhá-las
esperar por elas
como se espera o fim
de uma quarentena
ora, direis,
ouvir algoritmos!

(isso não é um poema).

o olhar despedaçado – narrativas visuais da #quarentena

…mas ela ainda tem um blog?

pois é! sempre quebro a promessa de postar frequentemente, c’est la vie, só que fomos arremessades, sem qualquer aviso, numa situação de pouquíssimos precedentes na história moderna. em um tempo de olhares limitados pelo isolamento, de espaços tolhidos, de afetos transmitidos via live. não preciso dizer que a arte tem papel absolutamente fundamental na ressignificação do caos. por isso, começo hoje um experimento visual. a cada dia, procurarei capturar algum detalhe do meu confinamento, jogando com fotografia analógica (polaroids) e digital, na tentativa de desvendar outras possibilidades de horizonte.

…mas você não é poeta? por que fotografia?

porque poesia existe além de texto e página 🙂 as imagens analógicas desse primeiro dia de experimentos podem ser chamadas de erros, de fotos que não deram nem um pouco certo. o olhar confinado, para além de filtros e fotos posadas, não poderia ser também uma fotografia ruim, estourada, fora de foco, borrada, queimada? o que ainda é possível ver?

convido vocês a tentar descobrir comigo ❤

Repito a pergunta: o que ainda é possível ver no confinamento?

Beijos isolados,

Anna Clara

um #tbt talvez tardio sobre o dia em que nunca mais fui a mesma

FLIP 2019 chegando!

Certamente, para todes autores ou pessoas que amam literatura, esse período do ano é um grande momento. A ansiedade de participar da minha segunda FLIP, dessa vez com participação em um sarau lindo (já já falo um pouquinho mais dele), se soma a pouco mais de dois meses de nascimento da Água indócil, na mágica noite de 24 de abril de 2019, na Casa das Rosas, esse espaço que transborda de cultura e de boas memórias e que, durante 2018, foi minha segunda casa (sdds, CLIPE!).

E o mais especial de tudo é que outras três potências nasceram junto da minha Água, e foram elas: Bruxisma (Pilar Bu), Atlântida (Ana Beatriz Domingues) e Eu não consigo parar de morrer (Camila Assad).

Nada melhor para agradecer pelos caminhos já trilhados e pelas estradas a trilhar do que se lembrar dos começos, ama como a estrada começa, já dizia Mario Cesariny (obrigada, Ana Rüsche, por me apresentar a esse poema tão profundo <3).

Então, fiquem com algumas fotos da maravilhosa Mayara Barbosa:

Como se diz, esse dia foi loko! hahahahahaha

Mas tem muito mais vindo por aí e logo eu apareço por aqui para falar dos vários projetos que ando tocando e testando (spoiler: tem uma plaquete artesanal!)

Por enquanto, para quem for à FLIP 2019, eis minha participação:

E então, nos vemos?

Até as próximas postagens, e prometo não abandonar o blog! 😉