o olhar despedaçado, segundo dia

hoje eu desejei deitar no chão, junto à poeira dos dias, parar de comer e beber até que a vida desistisse do meu corpo. a cidade teimava em fugir debaixo dos meus olhos. o café me empurrou calor no peito. o poente me deu horizonte.

amanhã, tudo outra vez.

o olhar despedaçado – narrativas visuais da #quarentena

…mas ela ainda tem um blog?

pois é! sempre quebro a promessa de postar frequentemente, c’est la vie, só que fomos arremessades, sem qualquer aviso, numa situação de pouquíssimos precedentes na história moderna. em um tempo de olhares limitados pelo isolamento, de espaços tolhidos, de afetos transmitidos via live. não preciso dizer que a arte tem papel absolutamente fundamental na ressignificação do caos. por isso, começo hoje um experimento visual. a cada dia, procurarei capturar algum detalhe do meu confinamento, jogando com fotografia analógica (polaroids) e digital, na tentativa de desvendar outras possibilidades de horizonte.

…mas você não é poeta? por que fotografia?

porque poesia existe além de texto e página 🙂 as imagens analógicas desse primeiro dia de experimentos podem ser chamadas de erros, de fotos que não deram nem um pouco certo. o olhar confinado, para além de filtros e fotos posadas, não poderia ser também uma fotografia ruim, estourada, fora de foco, borrada, queimada? o que ainda é possível ver?

convido vocês a tentar descobrir comigo ❤

Repito a pergunta: o que ainda é possível ver no confinamento?

Beijos isolados,

Anna Clara